De todos os sintomas que ela sabia que viria a conhecer, este era o mais indesejável. Ela sabia que quando o visse e ele caminhasse em sua direção com aquele sorriso, o sorriso pelo o qual ela se apaixonou, ela não seria capaz de se mover. Não seria capaz porque simplesmente seu corpo não obedeceria, ela também sabia que a sua mente traidora iria fazer o trabalho reverso, embolando seus pensamentos. E era por isso que ela fugia dele todos os dias, ela fugia do solavanco acelerado de seu coração quando ele dirigia a palavra a ela, fugia do formigamento prazeroso que o simples toque dele a proporcionava, fugia da detestável gagueira temporária que a atingia. Mas por mais insigne corredora que ela fosse ela sabia que nunca conseguiria fugir dele, por que sua mente decidiram contrariá-la com afinco. Ela sabia que deveria lutar, que deveria tentar ao menos, por que no momento que seus olhos se encontrassem ela se renderia. Ela se renderia a ele, seu orgulho e toda vontade de resistir seria exaurida de seu corpo no momento que seu sorriso fosse visto, e todo o seu esforço para construir barreiras ao redor de seu mundo estável iriam ruir tão depressa como a sua capacidade de resistência.
Em fim o novo ano chegou! 2013 foi um ano que passou rápido demais para mim, foi um ano em que fiz varias promessas e desejos e fiquei durante todos os 365 dias em expectativa. O que só me resultou em frustração e sensação de faltar de dever comprido, foi um ano em que realizei pouco e idealizei muito. E por isso decidi que este ano vai ser diferente, em 2014 eu irei esperar menos. Nada de expectativas e promessas exageradas.
A única coisa que prometo é que vou ser menos espectadora e mais ativa em minha própria vida. Nada de esperar por algo que eu mesma tenho que ir atrás.
Um, dois, três... Eu estou tremendo, mordendo o lábio inferior com força. Estou lambendo sangue. Estou me concentrando na ardência e no ranger de dentes, rasgando a pele da palma com as unhas enquanto fecho com força minhas mãos. Quatro. Estou concentrada em me ferir, nessa pequena ardência. Isso está me segurando, está me puxando firme, me lembrando de não tremer por dentro. Cinco, seis... Eu sou um recipiente tão fraco, está rachando tão rápido. Eu estou sentindo que não vou aguentar muito tempo. Sete. Eu estou quebrando.
O céu caiu.
Eu o vi desmoronar lentamente , o azul se desmanchou entre minhas mãos. Tão bonito.
Eu vi você, no meio do todo aquele caos celeste, os olhos tão duros, as mãos bem rígidas ao lado do corpo. Eu ouvi seu coração, frenético, rápido. Tudo estava desmoronando, bem em cima de você, e não o vi nem ao menos piscar. Tão firme.
Eu gritei seu nome até minha garganta doer, eu lutei contra as lágrimas enquanto tentava correr para mais perto, mas eu não consegui me mover, meus músculos não se moverem nenhum centímetro e eu estava tão cansada.
Porque você não me ouvi? Venha até mim! Ou não venha mas apenas saia daí. Nossos olhos se encontraram, os meus desesperados e repletos de lágrimas e os seus tão tristes, tão resignados.
Eu finalmente consegui me mover, lentamente, quase me arrastei em um ritmo desesperado para mais perto, quando finalmente estava ao seu lado, você me abraçou e molhei sua camisa com minhas lágrimas ruidosas, eu olhei para você, você sorriu. Tão calmo, tão seguro, tão triste.
Então o céu caiu. Bem em cima de nós.
Eu o vi desmoronar lentamente , o azul se desmanchou entre minhas mãos. Tão bonito.
Eu vi você, no meio do todo aquele caos celeste, os olhos tão duros, as mãos bem rígidas ao lado do corpo. Eu ouvi seu coração, frenético, rápido. Tudo estava desmoronando, bem em cima de você, e não o vi nem ao menos piscar. Tão firme.
Eu gritei seu nome até minha garganta doer, eu lutei contra as lágrimas enquanto tentava correr para mais perto, mas eu não consegui me mover, meus músculos não se moverem nenhum centímetro e eu estava tão cansada.
Porque você não me ouvi? Venha até mim! Ou não venha mas apenas saia daí. Nossos olhos se encontraram, os meus desesperados e repletos de lágrimas e os seus tão tristes, tão resignados.
Eu finalmente consegui me mover, lentamente, quase me arrastei em um ritmo desesperado para mais perto, quando finalmente estava ao seu lado, você me abraçou e molhei sua camisa com minhas lágrimas ruidosas, eu olhei para você, você sorriu. Tão calmo, tão seguro, tão triste.
Então o céu caiu. Bem em cima de nós.
Eu gosto de cafés, gosto de mão dadas, sorrisos tortos, abraços sem jeito, cafunés, cartas antigas, chuva, pés molhados, folhas secas, chocolate, livros, beijos, do aconchego, dos sussurros e das fotos espontâneas.
Eu gosto de momentos, gosto de segundos decisivos, gosto de vivacidade, gosto do frio, da música, dos doces, das comidas diferentes. Gosto de conhecer. Conhecer pessoas, conhecer o mundo, conhecer a mim mesma.
Gosto do trágico, do romântico, do excêntrico e principalmente do feliz. Gosto de escrever, rabisco o papel, a parede, a pele. Sou boba, choro fácil, riso fácil. Sou impulsiva, sou indecisa, confusa, espontânea, tempestuosa, intensa. Eu sou acima de tudo, humana.
Ultimamente, por vezes cada vez mais frequentes, venho parando para pensar com minha vida está uma completa bagunça. Está tudo fora de ordem, embaralhado, confuso. E isso engloba muitas - se não todas - as partes de minha vida. A minha relação com as pessoas, comigo mesma, e com as palavras.
Venho empurrando todo esse caos com a barriga a tempo o suficiente para me acostumar e me acomodar com ela, o que só a tornou uma bola de neve cada vez maior, estou em estado de latência. E não sei por onde começar a me reorganizar.
Agora mesmo, escrevi, apaguei palavras, modifiquei, apaguei mais palavras, coloquei outras e ainda acho que o texto está desconexo, desorganizado. Harmonizando perfeitamente com meu estado de espírito.
Me aproximei para abraçá-lo mas parei quando ele deu um passo a traz, seu rosto estava lívido e contorcido em dor, ele baixou seus olhos azuis, que outrora eram tão vivos e intensos mas que agora encontravam-se taciturnos . Eu podia ver que ele estava se esforçando para se manter conciso, seus largos ombros tremeram um pouco e então eu soube que ele ira explodir a qualquer momento. Meu coração se comprimiu.
- Matt? - ouvi minha própria voz tremular insegura enquanto silenciosamente perguntava o que havia de errado.
- Vá embora Susana- sua voz não passava de um sussurro doloroso - deixe-me em paz.
O olhei surpresa e tentei me aproximar novamente e novamente ele se afastou. Meu coração comprimiu ainda mais e tive que arquear um pouco em busca de ar, meus olhos encheram-se de lágrimas.
- Porque você está fazendo isso comigo?
Ouvi mais um palavrão enquanto esbarrei pela terceira vez em alguma pessoa, em outra ocasião eu teria pedido desculpas ruborizada e a ajudaria a se levantar. Mas hoje não, estava ocupada demais em correr para me importar com quem quer que fosse que estivesse o azar de passar por mim naquele momento. Minhas pernas estava começando a dar sinais de falência, estava correndo com tudo que eu podia dar, como se minha vida dependesse disso. Na verdade, ela realmente dependia.
Ele voltou seus olhos pra mim, seus lábios levantaram em um sorriso sarcástico e ele forçou-se a voltar a sua tão costumeira posse arrogante.
- Você é tão idiota Susi - ele se aproximou colocando a mão direita em meu rosto, o local em que sua pele me tocava instantaneamente aqueceu-se- Eu avisei para você não se apaixonar por mim não avisei? Mas mesmo assim você foi burra o bastante para fazê-lo.
Engoli em seco, minha mente não fez esforço algum em trabalhar numa boa resposta, meu corpo estava travado no lugar e meus olhos castanhos estavam presos nos dele.
Matt aproximou seus lábios próximos a minha jugular mordendo-a, sua língua brincou com a extensão de minha pele durante todo o caminho até minha orelha direita, e eu, traída por meu próprio corpo, não consegui fazer outra coisa se não suprir um pequeno gemido.
- Eu te usei Susana - ele sussurrou, sua voz antes tão sedutora tornou-se áspera e cruel- Esse tempo todo eu estava apenas me divertindo. E agora, eu cansei de você. Vá embora e não me procure nunca mais.
Atravesse a rua sem nem olhar para os lados, o que resultou e mais xingamentos e buzinadas em minha direção, me restavam apenas dez minutos. Meu corpo estava começando a rejeitar tanto esforço, mais eu tinha que força-lo só mais um pouco, porque ele estava a menos de um quarteirão.
- Você não sabe mesmo não é? - Argus levou o indicador as lábios e se inclinou como se estivesse prestes a contar um segredo- Você acha que ele a deixou por que quis?
- Ele deixou isso bem claro em nossa última conversa - Rebati forçando as lagrimas a voltarem, eu estava encolhida em uma cadeira em frente ao melhor amigo de Matt
Argus pareceu alheio ao meu evidente sofrimento e riu descrente- Sinceramente Susana, quando eu te conheci você era mais inteligente do que isso. Ele estava fingindo
- Por que ele iria fingir? - perguntei descrente, minha voz estava cheia de amargura e dor. - Ele falou com todas as letras que eu não havia passado de um brinquedo - engoli em seco machucando minha garganta- que eu não passei de uma diversão para ele.
Argus balançou a cabeça recusando tudo o que eu dizia, como se estivesse falando com uma criança que acreditava piamente em Papai Noel e que quisesse convencê-lo a acreditar também.
- Ele te ama Susana, só você que é displicente o bastante para recusar a ver o que era obvio- Ele gritou a forçando a olhá-lo assustada- eu vi o jeito que ele olha para você. Por Deus! Ele olha para você como se fosse a única mulher na Terra, era quase como se você tivesse um imã enorme que obrigava os olhos dele a ficar apenas em você.
Eu queria oprimir aquela esperança que insistiu em aparecer novamente.
Não, não, não. Eu não iria acreditar naquilo outra vez. Não havia mais pedaços de meu coração para quebrar.
Argus suspirou resignado e me olhou com urgência - Ele precisou mentir para você, eles ameaçaram de matá-La por que ele saiu da gangue. Ele saiu por que queria ter uma vida com você longe de toda aquela violência.
Então meu coração se rasgou, meus pulmões esmagaram e meu cérebro estagnou. Ele fez por mim, por mim, por mim.
- E se você não corre agora, você o perderá para sempre. Ele está indo embora, nesse exato momento.
Aquela foi a última coisa que ouvi antes de disparar pelas ruas.
Matt estava chorando quando o encontrei, seus belos cabelos negros estavam desalinhos e sujos, a barba estava por fazer e abaixo de seus olhos haviam olheiras enormes. Seus olhos se arregalaram visivelmente quando me viu arfando e gritando seu nome.
O som da aeromoça avisando aos passageiros para se direcionarem para a área de embarque se fez audível. E nenhum de nós dois se moveu.
- O que você está fazendo aqui? - sua voz era quebrada.
- Você iria mesmo ir embora sem falar comigo? - disparei de repente raivosa.
- Eu já disse que..- -Eu falei com Argus- o interrompi decidida a pular sua falas hostilidade, Matt engoliu o que quer que ele havia ensaiado e ficou sem palavras.
- Como você ousou decidir algo dessa magnitude sozinho? - caminhei para mas próximo de Matt e parei o mais próximo possível que eu poderia ir sem ser afetada pela sua presença.
- Susana...- ele levou as mãos aos cabelos como sempre fazia quando estava em uma confusão interna - Eles iriam matá-La! Eu tinha que me afastar de você, eu sabia que não conseguiria fazer isso se você não me odiasse. Eu tinha que ter certeza que você não viria a traz de mim, mas aquele desgraçado fuxiqueiro do Argus correu para te contar tudo!
-Eu não te odeio - falei a primeira coisa que me veio a cabeça, eu precisava mostrá-lo que aquela não era a decisão certa. Ele precisava ver ficar sem ele não era uma opção. Matt Calou-se novamente e dessa vez as lagrimas voltaram aos seu olhos outra vez, me aproximei no ímpeto de limpas-las.
Ele segurou ambas as minhas mão e levaram uma a sua bochecha e outra aos seus lábio - Eu senti saudade do seu toque
Minha pele inflamou-se.
“Senhores passageiros por favor queiram se direcionar a área de embarque. ”
Última chamada.
- Há outro jeito Matt- eu sussurrei afetada pelo seu toque- Diga-me o que eu quero ouvir e irei com você - ele olhou-me intensamente, suas mão apertaram minha cintura forçando-me a ir de encontro com o seu peito. Seu rosto aconchegou-se em meu pescoço e suas lagrimas junto com as minhas inundaram nossas roupas.
- Por Deus Susana! Eu a amo! A amo tanto que só a idéia de te perder arranca-me o chão..- e então eu o beijei. Beijei com todo o amor que eu sentia dentro de mim e ele me correspondeu tão ávido quanto.
E ali, quando ele falo que me amava, eu tive a certeza que o seguira para onde quer que ele fosse. Porque o meu coração era único e exclusivamente dele.
Texto antigo mas que sempre me deixa com uma sensação gostosa depois de lê-lo.
Você está quebrado, completamente estilhaçado e está me arrastando com você. E isso dói meu coração está sangrando, seu sofrimento está dilacerando minha alma, lenta e incansavelmente. Eu não aguento mais, posso escutar os gritos da sua alma, eles se misturam com os da minha própria.
E o pior de tudo é que eu sempre soube que isso poderia vir a acontecer, no momento em que nossos lábios se encontraram tão famintos um do outro. Estupidamente eu disse que te amava, outra vez, outra vez e mais repetidas vezes. Porque eu desejava que com esses gestos e com a prova de o quão intenso era meus sentimentos o seu coração iria se curar aos poucos.
Por mais incessante que seja, mesmo me machucando mais e mais, eu não vou te deixar, estou acorrentada em você, eternamente.
Minhas lagrimas com as suas, meu corpo com o seu, os nossos corações mesmo em frangalhos ainda continuam misturados, eu vou sofrer por você, vou te abraçar quando os seus pesadelos forem reais demais, vou amá-lo ainda que você não estiver pronto para retribuir, e juntos vamos superar tudo isso, vamos curar um ao outro e enfim subiremos três metros acima do céu*.
*Titúlo referente ao livro de mesmo nome.
Texto feito do começo do ano para postar no site Pleinco . Tenho um apreço especial por ele pois foi inspirado no meu shipper favorito (Sasusaku - Naruto), eu imagino que a relação deles seria desse jeito sabe? Forte, intensa e muito, muito conturbada. Porque não tem como alguém que passou por tudo o que Uchiha Sasuke passou ter a mente sã e a alma intacta. Para min a Sakura sempre foi sua salvação, ela é a única que consegue ver mesmo como ele está destroçado e é a única que tem amor o suficiente para os dois, ela é a única que pode ensina-lo amar novamente.
Ela sorriu quando seus olhos se encontram. Ela não tinha idéia
de como aquele gesto podia ser tão prazerosamente devastador.
- Você está atrasada – Você resmunga na tentativa de fazer
aquele sorriso desmanchar e assim você conseguir se concentrar em qualquer
coisa que não seja a boca dela, mas ao contrário do que você espera (do que você precisa) ela abre ainda mais aquela
fileiras de dentes e se inclina na sua direção, erguendo-se na ponta dos pés, para beijar sua bochecha
- Eu também senti sua falta – Ela diz ainda próximo de seu
rosto, próximo até demais. E você por
mais tentado que esteja a se inclinar mais um pouco, apenas mais alguns centímetros
e experimentar o gosto daquela boca tão...tão macia, se ver forçando a sorrir de
forma afetada e se afastar vagarosamente (e dolorosamente) dela. Porque você
sabe que ela ainda não estava preparada para isso, você sabe que ela está
precisando desesperadamente de um colo sem segundas intenções e era isso que
você –ironicamente- era para ela nesse exato momento.
E você sabe que, por hora, seria mesmo apenas isso para ela
e seria tudo o mais que ela precisasse que você fosse.