Última Chamada

12/09/2012


Me aproximei para abraçá-lo mas parei quando ele deu um passo a traz, seu rosto estava lívido e contorcido em dor, ele baixou seus olhos azuis, que outrora eram tão vivos e intensos mas que agora encontravam-se taciturnos . Eu podia ver que ele estava se esforçando para se manter conciso, seus largos ombros tremeram um pouco e então eu soube que ele ira explodir a qualquer momento. Meu coração se comprimiu.
- Matt? - ouvi minha própria voz tremular insegura enquanto silenciosamente perguntava o que havia de errado.
- Vá embora Susana- sua voz não passava de um sussurro doloroso - deixe-me em paz.
O olhei surpresa e tentei me aproximar novamente e novamente ele se afastou. Meu coração comprimiu ainda mais e tive que arquear um pouco em busca de ar, meus olhos encheram-se de lágrimas.
- Porque você está fazendo isso comigo?


Ouvi mais um palavrão enquanto esbarrei pela terceira vez em alguma pessoa, em outra ocasião eu teria pedido desculpas ruborizada e a ajudaria a se levantar. Mas hoje não, estava ocupada demais em correr para me importar com quem quer que fosse que estivesse o azar de passar por mim naquele momento. Minhas pernas estava começando a dar sinais de falência, estava correndo com tudo que eu podia dar, como se minha vida dependesse disso. Na verdade, ela realmente dependia.

Ele voltou seus olhos pra mim, seus lábios levantaram em um sorriso sarcástico e ele forçou-se a voltar a sua tão costumeira posse arrogante.

- Você é tão idiota Susi - ele se aproximou colocando a mão direita em meu rosto, o local em que sua pele me tocava instantaneamente aqueceu-se- Eu avisei para você não se apaixonar por mim não avisei? Mas mesmo assim você foi burra o bastante para fazê-lo.

Engoli em seco, minha mente não fez esforço algum em trabalhar numa boa resposta, meu corpo estava travado no lugar e meus olhos castanhos estavam presos nos dele.
Matt aproximou seus lábios próximos a minha jugular mordendo-a, sua língua brincou com a extensão de minha pele durante todo o caminho até minha orelha direita, e eu, traída por meu próprio corpo, não consegui fazer outra coisa se não suprir um pequeno gemido.

- Eu te usei Susana - ele sussurrou, sua voz antes tão sedutora tornou-se áspera e cruel- Esse tempo todo eu estava apenas me divertindo. E agora, eu cansei de você. Vá embora e não me procure nunca mais.


Atravesse a rua sem nem olhar para os lados, o que resultou e mais xingamentos e buzinadas em minha direção, me restavam apenas dez minutos. Meu corpo estava começando a rejeitar tanto esforço, mais eu tinha que força-lo só mais um pouco, porque ele estava a menos de um quarteirão.

- Você não sabe mesmo não é? - Argus levou o indicador as lábios e se inclinou como se estivesse prestes a contar um segredo- Você acha que ele a deixou por que quis?

- Ele deixou isso bem claro em nossa última conversa - Rebati forçando as lagrimas a voltarem, eu estava encolhida em uma cadeira em frente ao melhor amigo de Matt

Argus pareceu alheio ao meu evidente sofrimento e riu descrente- Sinceramente Susana, quando eu te conheci você era mais inteligente do que isso. Ele estava fingindo

- Por que ele iria fingir? - perguntei descrente, minha voz estava cheia de amargura e dor. - Ele falou com todas as letras que eu não havia passado de um brinquedo - engoli em seco machucando minha garganta- que eu não passei de uma diversão para ele.

Argus balançou a cabeça recusando tudo o que eu dizia, como se estivesse falando com uma criança que acreditava piamente em Papai Noel e que quisesse convencê-lo a acreditar também.

- Ele te ama Susana, só você que é displicente o bastante para recusar a ver o que era obvio- Ele gritou a forçando a olhá-lo assustada- eu vi o jeito que ele olha para você. Por Deus! Ele olha para você como se fosse a única mulher na Terra, era quase como se você tivesse um imã enorme que obrigava os olhos dele a ficar apenas em você.

Eu queria oprimir aquela esperança que insistiu em aparecer novamente.

Não, não, não. Eu não iria acreditar naquilo outra vez. Não havia mais pedaços de meu coração para quebrar.

Argus suspirou resignado e me olhou com urgência - Ele precisou mentir para você, eles ameaçaram de matá-La por que ele saiu da gangue. Ele saiu por que queria ter uma vida com você longe de toda aquela violência.

Então meu coração se rasgou, meus pulmões esmagaram e meu cérebro estagnou. Ele fez por mim, por mim, por mim.

- E se você não corre agora, você o perderá para sempre. Ele está indo embora, nesse exato momento.

Aquela foi a última coisa que ouvi antes de disparar pelas ruas.

Matt estava chorando quando o encontrei, seus belos cabelos negros estavam desalinhos e sujos, a barba estava por fazer e abaixo de seus olhos haviam olheiras enormes. Seus olhos se arregalaram visivelmente quando me viu arfando e gritando seu nome.

O som da aeromoça avisando aos passageiros para se direcionarem para a área de embarque se fez audível. E nenhum de nós dois se moveu.

- O que você está fazendo aqui? - sua voz era quebrada.

- Você iria mesmo ir embora sem falar comigo? - disparei de repente raivosa.

- Eu já disse que..- -Eu falei com Argus- o interrompi decidida a pular sua falas hostilidade, Matt engoliu o que quer que ele havia ensaiado e ficou sem palavras.

- Como você ousou decidir algo dessa magnitude sozinho? - caminhei para mas próximo de Matt e parei o mais próximo possível que eu poderia ir sem ser afetada pela sua presença.

- Susana...- ele levou as mãos aos cabelos como sempre fazia quando estava em uma confusão interna - Eles iriam matá-La! Eu tinha que me afastar de você, eu sabia que não conseguiria fazer isso se você não me odiasse. Eu tinha que ter certeza que você não viria a traz de mim, mas aquele desgraçado fuxiqueiro do Argus correu para te contar tudo!

-Eu não te odeio - falei a primeira coisa que me veio a cabeça, eu precisava mostrá-lo que aquela não era a decisão certa. Ele precisava ver ficar sem ele não era uma opção. Matt Calou-se novamente e dessa vez as lagrimas voltaram aos seu olhos outra vez, me aproximei no ímpeto de limpas-las.

Ele segurou ambas as minhas mão e levaram uma a sua bochecha e outra aos seus lábio - Eu senti saudade do seu toque

Minha pele inflamou-se.

“Senhores passageiros por favor queiram se direcionar a área de embarque. ”
Última chamada.

- Há outro jeito Matt- eu sussurrei afetada pelo seu toque- Diga-me o que eu quero ouvir e irei com você - ele olhou-me intensamente, suas mão apertaram minha cintura forçando-me a ir de encontro com o seu peito. Seu rosto aconchegou-se em meu pescoço e suas lagrimas junto com as minhas inundaram nossas roupas.

- Por Deus Susana! Eu a amo! A amo tanto que só a idéia de te perder arranca-me o chão..- e então eu o beijei. Beijei com todo o amor que eu sentia dentro de mim e ele me correspondeu tão ávido quanto.

E ali, quando ele falo que me amava, eu tive a certeza que o seguira para onde quer que ele fosse. Porque o meu coração era único e exclusivamente dele.

Texto antigo mas que sempre me deixa com uma sensação gostosa depois de lê-lo.

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4 comentários

  1. Que texto maravilhoso! Bastante emocionante... Parabéns!

    Beijos,
    Emily Swan
    livro-apaixonado.blogspot.com.br/

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  2. Ju (espero que não se importe de eu chamá-la assim, rs), mais um texto perfeito. Não tenho palavras, de verdade. Me lembrou muito um texto que fiz a um tempo atrás, pena que hoje ele seja só mais um registro de memória, que não faça mais parte de quem sou, se é que me entende.
    Beijinhos

    hiperbolismos.blogspot.com

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  3. Que texto maravilhoso. Gostei muito de cada palavra e cada detalhe. Comecei a ler e queria saber o final, me deixou encantada. Uma história de amor é sempre linda. Beijããão.

    www.detalhesamor.blogspot.com

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  4. Oii Juliana,acabando de chegar aqui no Blog e já encontro esse escrito maravilhoso(sei que o post é de dezembro,mas não resisti comentar rsrs)!Adorei o conto,lindo demais!
    Beijo
    http://cami-lices.blogspot.com.br/

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